terça-feira, 28 de junho de 2011

#mundinho feio

Me despedaço, depois regenero. Não tenho vergonha na cara, não tenho principios, não tenho elos. Sou revestida de vidro frágil por fora e carcaça de aço por dentro. Me corto, me firo, quebro a cara, perco os dentes. Distribuo sorrisos banguelos e maquiavélicos, conquisto corações femininos, dispenso elogios masculinos. Vivo a minha vida, me basta. Nao me importo com o seu dia, suas dores, vou pro bar e tomo minha dose, de salto alto e batom vermelho atraio olhares, maliciosos, reprovadores, depravados. Não me atingem. Deixe-me ser assim: patética e esquisita. Conto passos, distraída com letreiros, borro os olhos com maquiagem barata e lágrimas. Cicatrizo feridas, afogo mágoas, gero novos monstros e alimento novos medos. Encaro de frente a escuridão, estou pronta para enfrentar a cavalaria que tenta me aprisionar, quebro grilhões imaginários, libero perigos reais, liberto o desconhecido que me guia, ignoro os tabus que me cercam. Imperfeita, feita para o errado. Pro que choca, mas é prazeroso, pro que sacia, mas é momentâneo. Daquelas que corta o pulso, que chora em público, que trai bons moços para conquistar moças más. Passional. Não invento minhas histórias, vivo-as. E repito: deixe-me ser assim.
Indomável e indócil.
Marginal.

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