terça-feira, 28 de junho de 2011

#rainhacoma

Nas roupas um grito, um protesto, um aviso.
Debaixo delas, o respeito e todo o abismo de uma mulher Libertina...Liberta!
É do corpo que ela gosta, é no corpo onde tudo faz efeito.
Mulher Maria, Madalena, Erva Daninha.
Ela é a voz da minoria, é o grito de liberdade,
É o cheiro puro, é o gosto profano sem nome e vaidade.
Ela é a beata sem calcinha, é a razão da prostituta
É a santa sem manto e com o cabelo bagunçado.
Ela é raiva, amor, dor, ódio e desacato.
Ela é o que faz o sangue ferver.
É a ponta da faca, é o desejo de ser e não pertencer.
É mulher da vida, da vida parida nesse mundo nervoso.
É mulher da vida, da vida de cada uma de nós.
Ela é todo tipo de arrepio gritando à flor da pele!

#mundinho feio

Me despedaço, depois regenero. Não tenho vergonha na cara, não tenho principios, não tenho elos. Sou revestida de vidro frágil por fora e carcaça de aço por dentro. Me corto, me firo, quebro a cara, perco os dentes. Distribuo sorrisos banguelos e maquiavélicos, conquisto corações femininos, dispenso elogios masculinos. Vivo a minha vida, me basta. Nao me importo com o seu dia, suas dores, vou pro bar e tomo minha dose, de salto alto e batom vermelho atraio olhares, maliciosos, reprovadores, depravados. Não me atingem. Deixe-me ser assim: patética e esquisita. Conto passos, distraída com letreiros, borro os olhos com maquiagem barata e lágrimas. Cicatrizo feridas, afogo mágoas, gero novos monstros e alimento novos medos. Encaro de frente a escuridão, estou pronta para enfrentar a cavalaria que tenta me aprisionar, quebro grilhões imaginários, libero perigos reais, liberto o desconhecido que me guia, ignoro os tabus que me cercam. Imperfeita, feita para o errado. Pro que choca, mas é prazeroso, pro que sacia, mas é momentâneo. Daquelas que corta o pulso, que chora em público, que trai bons moços para conquistar moças más. Passional. Não invento minhas histórias, vivo-as. E repito: deixe-me ser assim.
Indomável e indócil.
Marginal.

#collerica

querem-me submissa medrosa dependente
querem-me parideira esposa frágil
querem-me comportada vestida penteada
querem-me calada prisioneira alienada
querem-me santa escrava arrependida
querem-me mutilada acomodada incapaz
querem-me sã exata bendita
querem-me reprimida diurna inflável
querem-me finita limitada ingênua
querem-me ao contrário do que sou
querem-me e não querem me deixar querer
querem-me morta!

menos.

menos sufocada, menos vigiada, menos ansiosa, menos enganada, menos confusa, menos amada, menos chateada.
mais leve, mais determinada, mais livre!